14/05/2010
Estágio na faculdade é chance de começar a carreira
Ao contrário de concorrer a uma vaga em programas de estágio e trainee no mercado, Paulo Alves de Almeida Júnior, estudante de Ciências Biológicas da USJT (Universidade São Judas Tadeu), decidiu atuar dentro do próprio campus. Mesmo sem nenhuma remuneração, a oportunidade se tornou atrativa pela facilidade de locomoção. Ele não tem de se preocupar com atrasos e nem com trânsito, não precisa sair correndo do trabalho, pegar várias conduções para ir à faculdade. Vantagem que, segundo o rapaz, também se alia ao reconhecimento da experiência tanto para o ingresso futuro no mercado de trabalho, quanto na vida acadêmica.
"Apesar de não ser uma garantia de emprego depois de formado, o estágio na faculdade me dará subsídio para conseguir uma boa oportunidade na área de botânica - segmento que mais me identifico dentro das Ciências Biológicas", diz Almeida Júnior. Na opinião dele, o contato mais próximo com os professores por meio do estágio caseiro pode ampliar as chances de ingresso no ambiente acadêmico e empresarial. Ele não teme que o isolamento na faculdade possa gerar problemas no seu futuro profissional "Nem sempre o professor dá aula numa só universidade. Além disso, ele normalmente tem contato com professores de outras instituições, o que facilita na hora de conseguir uma indicação para outro estágio ou até mesmo uma vaga de emprego", aposta o estudante.
As oportunidades relatadas por Almeida Júnior também são reconhecidas por Seme Arone Júnior, presidente da Abres (Associação Brasileira de Estágios). Para ele, não há desvantagem do estágio universitário em relação àqueles realizados no mercado. De acordo com ele, ambos propiciam a união entre a teoria vista em sala de aula e a prática do dia a dia profissional. "Ainda que não tenha remuneração, essa vivência no estágio - independente de seu local - é muito importante para o enriquecimento profissional desse estudante", afirma Arone Júnior.
Mas para o presidente da Abres, o leque de opções e de contatos para futuras possibilidade de emprego fora da universidade se ampliam de acordo com as atividades desempenhadas pelo estudante. "Caso consiga estagiar num setor que tenha um relacionamento mais próximo com outras empresas, maiores serão os ganhos", acredita ele, que faz também uma ressalva, o estudante que se mantiver isolado da sua área por causa do estágio na faculdade, corre risco de se prejudicar num futuro próximo, quando tentar arrumar trabalho fora da instituição em que estuda.
O risco de acabar isolado do mercado pode ser revertido, a depender da postura do estudante. Jaqueline Silveira Mascarenhas, coordenadora do Ibmec Carreira MG (Faculdade IBMEC de Minas Gerais), destaca a possibilidade das próprias instituições indicarem seus estagiários a empresas parceiras. A indicação, no entanto, segundo ela, depende dos rendimentos dos estudantes na função.
Para os casos em que o estágio oferecido pela universidade não seja remunerado, Arone Júnior sugere que o estudante procure, paralelamente, outra oportunidade de emprego. Seja ela para suprir a ausência do ganho financeiro ou mesmo para ampliar as experiências e aprendizados. Entretanto, há universidades que em troca dos serviços prestados pelo aluno oferecem bolsas-auxílios nos padrões das grandes empresas ou mesmo bolsas que cobrem integral ou parcialmente os valores da mensalidade.
De acordo com Maria Ester Pires da Cruz, gerente do Núcleo de Desenvolvimento de Carreira do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), o estudante deve ter dentro da universidade a mesma dedicação que teria num emprego numa empresa. Embora estagiar dentro da própria faculdade pareça ser mais fácil e possa despertar certo comodismo, ela adverte: "o estágio dentro da faculdade é igual às oportunidades que existem fora, pois nesse processo o estudante aumenta seu repertório para decidir qual área gostará de seguir", argumenta.
Linda Betina Herrera, estudante do último ano do curso de Psicologia da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), viveu as duas situações e afirma que trabalhar na faculdade pode ter tantos benefícios quanto um emprego fora dela. A estudante conta que no caso de seu curso, os alunos devem passar por um estágio obrigatório de dois anos, cada um numa área diferente. "No meu primeiro ano de estágio, passei pela Clínica Escola no SAPP (Serviço de Atendimento e Pesquisa em Psicologia), dentro da própria faculdade, na linha Psicanalítica. Atualmente, estagio na área de recursos humano de uma distribuidora de medicamentos", explica a estudante. Na visão de Linda, a oportunidade oferecida pela universidade teve benefícios únicos e consideráveis como, por exemplo, amparo recebido dos professores. Algo que não teria numa empresa comum.
Quadro de vagas
As oportunidades de vagas de estágio no Ensino Superior brasileiro não se restringem às áreas administrativas. De acordo com Arone Júnior, as áreas mais comuns para esse tipo de vaga são as de tecnologia, fisioterapia e psicologia. "Além dessas áreas mais específicas, cursos de direito e engenharia, por exemplo, também têm espaço para seus alunos dentro da universidade", acrescenta ele.
O presidente da Abres expõe ainda que os universitários podem tentar uma chance nas empresas juniores. "Hoje, essas empresas juniores existem em várias universidades e são uma excelente oportunidade para os estudantes. As grandes empresas dão muito valor para universitários que participam de atividades extracurriculares e acadêmicas. Essas atividades não são classificadas como estágio, mas propiciam boa fonte de relacionamento e desenvolvimento. E se o aluno se destacar, pode ser indicado para um estágio", declara Arone Júnior.
Para os alunos que buscam uma oportunidade de estágio, Maria Ester recomenda maior atenção ao quadro de vagas da própria instituição. Mas para pleitear uma das oportunidades dentro do campus, os alunos não serão necessariamente isentos dos processos seletivos. "Em alguns casos, os candidatos passam por dinâmicas de grupo e entrevistas", compara ela.
Os caminhos percorridos por Almeida Júnior e Linda ilustram bem as diferenças nos processos seletivos dentro das faculdades. Enquanto Linda passou por um processo seletivo para conquistar a vaga de estágio na PUCRS, o ingresso do estudante da São Judas foi diferenciado. "Meu grupo apresentou um projeto para o orientador do SIMCIBIO (Simpósio de Ciências Biológicas) que realizaremos este ano, sobre germinação e recuperação de áreas degradadas. Como não trabalhava, o orientador, que também é o coordenador de estágio, propôs para que realizasse meu estágio com o mesmo tema do projeto", explica Almeida Júnior.
fonte:
Universia Brasil
http://www.universia.com.br/universitario/materia.jsp?materia=19616